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Seminário Nacional de Mudanças Climáticas
Um quadro grave e preocupante instala-se sobre o futuro do planeta. Esta é a conclusão a que chegaram centenas de cientistas e especialistas ambientais da Organização das Nações Unidas (ONU), no Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em Inglês), realizado em Paris, na primeira semana de fevereiro. Pelo relatório apresentado não dá para ser otimista. Se nada for feito, até 2100 o aumento da temperatura na Terra poderá chegar a 4ºC, ocasionando verões muito quentes, rápido derretimento de geleiras, aumento do nível dos oceanos, inundações, secas e tufões mais arrasadores; tudo isso, conseqüências do aquecimento global. Inácio Malmonge Martins, físico, professor e pesquisador, e Takeshi Imai, engenheiro Mecânico e pesquisador, ambos do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), meses antes do Encontro realizado na França, proporcionaram aos alunos do campus Bacelar uma verdadeira aula magna sobre a destruição desenfreada da camada de ozônio, o efeito estufa e o uso irracional da água, problemas que engrossam os paradigmas de destruições impostos pelo homem ao Planeta. O evento recebeu o nome de Seminário Nacional de Mudanças Climáticas e foi mediado por Carlos Cunha, diretor-presidente da Organização Não-Governamental, Companhia Ecológica. Na ocasião, o ambientalista lançou a campanha de reposição vegetal O Brasil + verde que amarelo, que consiste no plantio na cidade de São Paulo de 500 árvores nativas já com dois metros de altura.
A Camada de Ozônio, segundo Inácio Malmonge Martins A menor concentração do ozônio (O3) no Planeta (10%) fica na Troposfera - camada atmosférica que vai da superfície da Terra à Estratosfera, que abriga 90% desse gás. Na Estratosfera, o O3 é formado a partir de moléculas de oxigênio (O2) que recebem a radiação ultravioleta do Sol, dividindo-as em dois átomos, os quais se combinam ao oxigênio molecular, formando o ozônio. Entretanto, ao mesmo tempo em que a energia solar é responsável pela criação do ozônio, se algo estiver em desequilíbrio, seus raios também podem destruí-lo, pondo em risco a famosa camada que protege a Terra e seus habitantes dos raios ultravioleta (UVB). Soma-se a isso o efeito estufa, que, em virtude das toneladas de agentes poluentes, impede a dissipação do calor do sol no espaço. De acordo com Inácio Martins, o planeta Terra já teve, há cerca de 400 milhões de anos, um superávit de ozônio, mas o desenvolvimento tecnológico e industrial trouxe consigo a emissão do gás Clorofluorcarbono (CFC) na atmosfera (agente que destrói as moléculas de O3), colocando em risco o equilíbrio na produção de ozônio. Isso acontece porque, ao liberar esse gás, a radiação ultravioleta desencadeia a formação de átomos de cloro, os quais decompõem o oxigênio do ozônio. A destruição da camada de ozônio cresce. Quanto mais ozônio nós perdemos na estratosfera, mais UVB entrará na Terra, adverte. Martins contou que até 1980, o ozônio era produzido e destruído pelo Sol em razão proporcional, mas de 1980 a 1993, esse escudo de proteção vindo do ozônio foi ficando desbalanceado, agravando-se com a erupção de vulcões, peças da natureza que liberam toneladas de gases tóxicos.
Água para a cobertura vegetal e um pedido de desculpas à natureza Em 1970 eu era um fabricante de pulverizadores, essas máquinas que envenenam as lavouras e empesteiam o Planeta. Para piorar, mais à frente eu comecei a fabricar motosserras para cortar árvores. Um dia eu testei uma delas em um Jacarandá, que tinha 250 anos; ela tombou e eu fiquei tão chocado que mudei de ramo e nunca mais cortei uma árvore, conta emocionado o engenheiro mecânico Takeshi Imai. Para redimir-se com o meio ambiente, Imai elaborou um projeto que visa reduzir os efeitos das mudanças climáticas originadas pela degradação ambiental. Foi então que em 1983 passou a produzir chuvas artificiais em regiões de baixa pluviosidade, bombardeando nuvens com a ajuda de aeronaves. O que era uma tentativa de contribuir com a natureza tornou-se uma realidade concreta em terras secas. Para explicar como tudo funciona e como pode colaborar com a cobertura vegetal, Takeshi partiu de ensinamentos básicos como o da lamentável verdade de que há somente 0,6% de água doce acessível ao consumo humano na Terra e que por isso não dá para desperdiçar. Além das geleiras e dos lençóis freáticos, uma outra ínfima parte aparece na atmosfera em forma de vapor e em gotículas d?água. Estas últimas, agrupadas, formam as nuvens, que se convertem em chuvas e caem nos continentes. Mas quando não chove? É exatamente nesse ponto que a técnica de Imai parece resolver o problema. Ele escolhe cuidadosamente as nuvens que vai bombardear com água potável, sem qualquer produto químico. A chuva começa a cair após 15 minutos do bombeamento e pode chegar até a três horas de duração, irrigando terras antes rachadas pela falta d?água. A técnica de produção de chuvas artificiais já deu certo em muitas regiões, razão pela qual rendeu a Takeshi Imai medalha de ouro no Simpósio Anual da Água (2005), em Cannes, na França. Quanto ao ozônio, o pesquisador reviu todos os conceitos abordados pelo colega Inácio Martins e emendou a tese alertando que 70% da camada de ozônio já se foi e, até 2015, os 30% restantes poderão chegar a zero, impossibilitando a vida animal e vegetal no Planeta.
Roberta Abrahão Depto. Comunicação UNIP - Objetivo
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